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What is a girl dressed in a long dress doing on a form magazin front cover? What I can tell you is that you should really have a look on it, and take a special attention to this edition´s focal theme.

By the way, that girl is me. Told you, I´m becoming a Super Design Model.
Cheers!

1- Form magazin 247. Dress from Mads Dinesen Moondogs collection;
2- Top by Annahita Kamali;
3- Fine by Saskia Diez;
4- Lucid Mid by Tsatsas.

/ Gestaltung à la Mode - Post Genre Fashion and Design, Form Magazin, Texts by Stephan Ott and Barbara Glasner, Production by Barbara Glasner, Pictures by Gerhardt Kellermann and Ana Relvao, April, 2013.




Objects always enable different utilizations and functions than the ones they were designed for. A chair was obviously designed to seat on, but depending on specific and momentary needs, it can become something totally different. For instance, it can easily become a step ladder or even a coat hanger. The user perceives the object characteristics and uses it for the problem he faces.
The photographic diffusers and reflectors are technical objects, tools, created to manipulate the light in a scene, and they come in different sizes. We thought about using them in domestic proposes, instead of professional ones, for lamps, instead of projectors, as a functional and graphic elements, rather then technical tools.

In our opinion, there are two types of interesting DIY projects: the ones you build by following instructions, and the ones that inspire you to design your one creations. But really important, in both cases, is the “keep it simple”, with reachable techniques and raw materials.





Lights a, b, c are our solutions and we give you instructions to rebuild them. Who knows how interesting it could be if one starts to create the versions d, e, f, and so on.

DOWNLOAD INSTRUCTIONS


/ Lights a,b,c; Ana Relvão and Gerhardt Kellermann for DIY project, SZ Magazin, March, 2013





Yes, it´s possible to make a bicycle out of a transparent material,
and at designaffairs we found it how.





Let me introduce to you our brand new Studio.
Based right in the countryside of Munich, in Seefeld.

Happy new year.
These news made me so happy!
Miguel Vieira Baptista, the owner of first design office I was involved in a professional level, was presented by Ronan and Erwan Bouroullec (designers of the year by A&W) and won the "Audi mentorprize by A&W" award!!


I really suggest you to visit his website. Can guarantee you, it's portuguese design at its best. Go here!

"Architektur & Wohnen - A&W is one of the leading German magazines for architecture, design and living. For the past 16 years we honour an international well-known designer with the award "A&W Designer of the Year". Winners were big names such as Achille Castiglioni, Philippe Starck, Konstantin Grcic or Patricia Urquiola. This year’s choice felled on the French designers Ronan and Erwan Bouroullec.
Part of the prise is that every winner nominates a young designer for the "Audi mentorprize by A&W" award.
This time the Bouroulec brothers and the Audi design team decided to present Miguel Vieira Baptista with this award.
The designers are doing a big exhibition on their work at Kölnischer Kunstverein where Miguel Vieira Baptista's work will also be presented. The award ceremony will take place in Cologne during the IMM fair on January 13th."

/ Pitoco, a project by MVB assisted by me, 2009.
Hipocrisia e Vinho Verde ou O que é que se passa com essa gente, está tudo parvo?


Há uma coisa que acontece frequentemente em Portugal que me irrita de morte: a Lábia.
A Lábia não é portuguesa, e por mais que muitos vos façam crer nisso, não acreditem, não caiam na lábia deles. A Lábia é uma coisa que foi inventada há já muito tempo por dois irmãos chamados Lábios, que viviam na Cabeça, ali mesmo na zona da Boca, e serve como habilidade de convencer as pessoas com palavras. A sua estrutura é extremamente transparente, bem mais do que a do vidro, sendo que na grande maioria dos casos, quando a Lábia é boa, torna-se mesmo invisível aos olhos comuns. Felizmente existem uns óculos, cujo autor é desconhecido, que se ligam directamente ao cérebro injectando um líquido extremamente caro chamado Conhecimento. Somente com o uso continuado destes óculos é possível ver a verdadeira cor da Lábia que tende a um verde assim meio hipócrita e triste.

Formei uma teoria: como Portugal está a passar uma fase assim meio difícil, sem dinheiro algum quanto mais para adquirir o tal líquido para os óculos, sem ninguém dar conta, a Lábia expandiu-se em proporções nunca antes vistas. Isto gerou uma doença, que é o sindrome "De-que-ninguém-consegue-fazer-nada-e-se-há-alguém-que-o-faz,-pronto-é-logo-elevado-a-herói". Dos primeiros sintomas da doença é a dificuldade de diferenciar um Bolo de Chocolate de um Cócó.
Ponham-se a pau porque cura para isso parece que ainda não há, e dizem que a longo prazo dá umas dores horríveis.

/ Reflectindo sobre o panorama actual de design de produto português, Novembro 2012.


Let me tell you about my new relation with Ervilha Criativa, a portuguese young but already awarded producer, focused in celebrate the union between the best of Portugal's craftsmen and product design:

IT'S LOVE!

Um ano e dois meses.
Quase três, vá.


Eis que começo a sentir falta.
Sabiam que o céu aqui é mais claro? Azul leitoso.

Já sonho com bitoques.
É claro que posso cozilhá-los em casa agora que já tenho casa - oh yeah!! -, mas não é a mesma coisa. Como é que se diz louro em alemão? Eu não sei. E uma folha de louro é essencial num bitoque como deve de ser. Se posso perguntar? Claro que posso, pergunto sempre. Mas também começa a pesar.
Às coisas já não as posso chamar de Coisas, agora são Dinge (em alemão o "e" no final das palavras lê-se, não é como em português que só está lá a fazer papel de parvo, como diz o Miguel, o nosso professor de alemão. Din-gué, ler-se-ia em português). Tudo tem um nome diferente. Até eu, que já não sou Relvão e passei a chamar-me Ana ou Die Ana. Na Baviera por vezes usam o artigo defenido antes dos nomes próprios, coisa que não é correcto em hochdeutsch. Resulta num "Diana, the portuguese girl from Lissabon". Exótico.
Sabem que já cheguei a fazer bifes com cogumelos com molho iogurte pensando que eram natas?
É que as embalagens também são diferentes.
E a quantidade de vezes que cozinhei sem sal porque não o conseguia encontrar no supermercado e nenhum dos empregados falava inglês? É que não há cá sal grosso, só fino e a embalagem é de cartão. No supermercado fica na prateleira perto do açúcar, sabia lá eu. Estupidamente sal auf deutsch é Saltz. Difícil esta... Valeu-me pelo menos uma semana de cozinhados sem sabor algum.
É chato ter que perguntar tudo. De repente sinto-me com 3 anos outra vez, e sempre que tento dizer qualquer coisa em alemão respondem-me "so süß" mesmo sem eu ter qualquer intuito de ser querida. Que não tenho. Se quisesse ser querida falaria francês, que alemão é demasiado matemático para transmitir qualquer coisa como ternura. Há excepções.
A comida é mesmo o que me está a fazer mais falta, daí que só fale em comida. Ora eu que sempre fui magra emagreci e não sei como dar a volta. Cá não há bitoques porta-sim, porta-sim, só nos restaurantes portugueses que são tipo dois numa cidade com 310.43 km2 . Também não custam €5. Uma dor só.

Fechando o tópico Comida quero falar-vos de Posicionamento.

Profissionalmente falando, todos nós procuramos aquele cantinho que é nosso, o nosso palco. Em Lisboa era coisa que de algum modo já estava segura. Digamos que já me sentia instalada, já havia uma história, já sabia o que contar. Pois eis que cá já não sou a Relvão, como sabem, até porque a Relvão não era alguém - cá nunca existiu, por isso tenho que criar uma história para a Di-ana, the portuguese girl from Lissabon que agora quer porque quer se instalar em Munique.
Não quer só porque lhe apetece. Não acordei "ah que bem que estaria em Munique. Quero viver lá para todo o sempre". Não, acima de tudo não me sentia bem em Lisboa. Agora já estou cá há um ano e dois meses, quase três, vá, e já vi isto com os meus olhos. O que vos digo é que isto é bom, é a sério e é o que procuro de momento. Numa palavra: rigor. Puro e duro. Rigor no desenho, rigor no trabalho, rigor nas relações e pagamentos.
Pelos estúdios em que tenho passado não se desenha nada sem antes fazer a pergunta óbvia "Porquê?", não se adiciona um raio qualquer numa aresta sem se perguntar "Porquê?", não se escolhe um material, uma tecnologia ou cor sem se perguntar "Porquê?" e justificações como, "eu gosto", "eu quero assim", só servem aos artistas. "Vamos desenhar uma cadeira?" "Então tem de ser a melhor da sua espécie." Como avaliamos isso? Através da lógica, meus caros. Se o objecto é lógico está fechado, e só se deveria voltar a abrir o caso quando algures, especialmente ou temporalmente, fizesse sentido. "Ah, mas e a economia?" Pois.
Nos dinheiros eles também ainda conseguem ser rigorosos, design paga-se! Não é de borla, muito menos a preços de saldo. É o que é. Uma profissão como outra qualquer que tem os seus custos e estes tendem a ser justos.

Como poderia eu, que sempre fui um pouco saxónica, não me sentir com falta de ar em Lisboa?

Parece bom? Parece a muitos, é por isso que isto está cheio de designers. Dez mil designers tem esta cidade. Cerca disso. Só industriais, uma catrefada. Aumentando o nível e quantidade, sobe naturalmente a competitividade. Juntando isso a uma língua demoníaca, o resultado é um jogo no modo dificílimo, mesmo no grau superlativo absoluto sintético. Se já pensei em ir-me embora? Claro. Este último ano foi tudo menos confortável e em vários momentos pus a minha sanidade em causa. Mas também vim para vir à luta, e se dá luta é porque vale a pena, porque se assim não fosse, digo-vos, era o mesmo que pegar no meu tempo (que é quem diz: a minha vida), e espetá-lo no lixo. Directo.

De momento falta-me a história, claro que sabem que já comecei inventá-la. Coisas sobre isso no tempo certo.

Agora vou comer um bretzel e leberwurst.
Bis dann ou até breve.

/ Many portuguese people often ask me about my experience here in Germany, and this post is nothing more than a brief answer to that. As it is mainly for them, it doesn't make any sense to write in any other language than portuguese. October 2012.


/ First internship in one shot; Miguel Vieira Baptista Office; 2008-2009

Já sabem que estou de férias do design de mobiliário?
Estou. Achei por bem que aos meus 25 anos e já com uma perna nos 26, estava na altura de dedicar algum tempo ao design industrial.
Continuo em Munique, claro, mas desta vez na designaffairs, antigo escritório da Siemens. Eis o nosso primeiro projecto.
Toda a informação aqui.

/FYLM; foldable speaker; designaffairs; 2012

Odeio quartos arrumados, perfeitos, mas a bagunça irrita-me de morte. No meu quarto, não, em todos os quartos que já tive e incluindo o meu actual, o problema é sempre a roupa.

Q: Sabemos onde colocar a roupa suja, sabemos onde colocar a roupa lavada, mas onde é que colocamos a roupa que já foi usada mas que ainda queremos voltar a utilizar?

Na cama não dá. A cama é a cama. Sobra a cadeira, esse objecto mítico. Esta última têm um trunfo: aquelas costas, a 750 ou 780mm (800mm,vá) do chão, têm escrito a néon vermelho, “Ideal para qualquer tipo de roupa. Por favor, utilizar provisoriamente.”
Concluo que a cadeira é o cabineiro de roupa mais universal de sempre, o que me fez pôr em causa o próprio arquétipo do cabideiro. Mas a cadeira enquanto cabideiro, tem um problema: o assento, que só serve para acumular descabidamente quilos de roupa. A tal bangunça, lá está.
A cadeira é um objecto complexo e a sua morfologia adequa-se sempre à função que é predestinada. Uma cadeira de jantar é uma cadeira de jantar, uma cadeira de repouso é uma cadeira de repouso, uma cadeira de escritório é uma cadeira de escritório, uma cadeira de dentista é uma cadeira de dentista, uma cadeira de praia é uma cadeira de praia. Pensei que uma cadeira de roupa deveria ser uma cadeira de roupa e retirei-lhe o assento.

Da cadeira só tem as costas. Serve para assentar roupa.

/ cadeira de roupa, cabideiro individual; fotografia por Gerhardt Kellermann; Projecto Remix; disponível com diferentes cores; Janeiro 2012.


Cada um de nós sabia exactamente qual o seu papel para a preparação da apresentação para a Wilhkahn. O Stefan foi o primeiro a acabar a sua parte e foi dormir o sono merecido. Por volta das 4:30 da manhã, com os modelos acabados, documentos impressos e insanidade instalada tirámos esta foto. Reparem que o Basti, terceiro da esquerda, está apoiado numa espingarda que improvisou em MDF e tubos de cartão, arma que utilizou para forçar a equipa acabar o trabalho com vista à cerveja merecida. E não que tenhamos deixado tudo para a última da hora, de todo, o ritmo do estúdio é que é uma coisa alucinante.

Se não fossem as vitaminas alemãs que estou a tomar - sim, porque devem ter cenas especiais lá dentro - de certeza que teria morrido algures pelo caminho durante estes seis meses que se passaram, desde que cheguei ao estúdio, a Munique.

Sobrevivi, claro, senão não vos estaria a escrever. Cheguei a várias conclusões neste periodo, a maior parte delas lições de moral, xá-lá-lás que a mim me fazem sentido, a vocês não sei, por isso não as revelo e deixo-as para mim.
Aqui todos me perguntam o que me fez sair de Portugal. Acho que nunca dei a mesma resposta a ninguém, é uma questão delicada. Saí porque não me sentia bem, quem está mal muda-se. Resumo tudo a incompatibilidade. Há vários padrões da cultura portuguesa com os quais não me identifico. Em Portugal gosto acima de tudo do sol e da língua, é sem dúvida um país ideal para férias. Não gosto de pseudo intelectuais, pessoas que dizem e fazem e acontecem mas que no fim sabem pouco, e a falta de humildade incomóda-me. É um sitio onde também não gosto do facto de ter 25 anos, ser mulher e designer industrial ao mesmo tempo. Acho que são coisas que não combinam, primeiro porque se fazem valer da idade que tenho para apontar para inexperiencia, ter ideias para mudanças é coisa de gente jovem, naif, os velhos é que são sempre a voz da razão e é neles que se deve apostar. Segundo porque design industrial é para homens, pensar em parafusos, brocas, cimento não é para mulheres e piora quando chega a parte de fazer modelos. Nenhuma mulher com aspecto de mulher sabe o que é uma lixadeira orbital, uma tupia, uma serra circular, e se tocar em alguma fica sem um dedo, logo.
E eu que sempre fui maria rapaz.
O que é que aconteceu ao design industrial em Portugal? O que é que se passa que faz com que a internacionalização volte a ser um dos grandes desafios? Volte, sim, porque há quem já o tenha feito soar lá fora. Perguntam-me o que é feito do Miguel Vieira Baptista e do Marco Sousa Santos. Eu respondo que continuam lá, não têm é um país que os suporte.

Perguntam-me o que acho sobre Munique. Munique têm uma grande vantagem sobre muitas cidades: está no centro da Europa com a Itália mesmo ali à mão, perto de todas as antigas editoras italianas, e é uma cidade alemã, cheia de alemães para trabalhar, esses reis da eficiência. É também a cidade mais rica da Alemanha e já toda a gente sabe para que é que serve o design. Por isso dá-se valor e gasta-se dinheiro em projectos reais.
Outra coisa é que vejo a colaboração entre os novos criativos e os da velha guarda alemã a funcionar. Os velhos são velhos, sabem muito e estão dispostos a ensinar. Os novos são novos e estão cheios de ideias e energia. Não há cá estratos e gente inatingível.

Sinto que aqui faz sentido, acima de tudo vai me fazendo sentido. Inevitavelmente pretendo por cá continuar por tempo indefenido.

/ This must be the place; December 2011


In the end, designers just wanna have fun.

/ one day at Vitra Design Museum with Gerhardt Kellermann and Jonathan Mauloubier; photo taken by Gerhardt Kellermann; November 2011


Deixem-me falar-vos sobre o meu secador de cabelo.

Ainda durante a universidade tive de comparar dois objectos analisando-lhes os ciclos de vida.
Lembro-me que nesta altura estava perdida de amores pelo secador de viagem da Muji. Como em qualquer paixão, o secador entrava em quase todos os meus sonhos. Percebi este desafio como uma hipótese de o estudar exaustivamente. Tendo de existir uma comparação pensei em compará-lo ao secador de viagem mais vendido em Portugal. Pesquisei nesse sentido e entrei em depressão rapidamente; naturalmente que o secador que procurava haveria de ser mau visualmente, a grande maioria é, e este, era. Comprei-o.

Em casa, porque tinha de analisar os dois secadores exaustivamente, decepei-os, deixei-os com as entranhas todas de fora, fotografei-os, e voltei a montá-los. Não sobraram peças. Até por dentro o da Muji estava mais bem conseguido. Ganhou na grande maioria dos aspectos.

Pensei mesmo em devolver o da Ufesa, o outro.
O civismo falou mais alto.

Bastaram-me três viagens para ter de enterrar o secador da Muji, cedo deixou de funcionar. Fica no ar a pergunta se fui eu que o matei precocemente quando o abri.

O outro, há já alguns meses que tem sido o meu secador diário. Funciona na perfeição.

É que é mesmo feio.
Dêem-se por contentes por colocar aqui uma ilustração ao invés de uma fotografia do objecto real.
Hoje não o trocaria por nenhum outro. Não trocaria nem troco.
Triunfou.

/ talking about my Ufesa SC8305 hairdryer model; November 2011







/ self-portrait; 23 October 2011

Bem, já não escrevo há anos, séculos para ser mais precisa. Tive a contar e tenho trezentos e dois temas para falar sobre. Vou escolher um, por um motivo simples: fisicamente afecta-me, está-me a afectar neste momento e por isso destaca-se dos outros; estou cheia de dores de costas e a culpa é toda minha.

"Por vezes o que é mais intuitivo nem sempre é o mais convencional"
Muito menos bom para as costas.

É este o titulo deste post.
No estúdio estou a desenhar uma cadeira, como meio mundo já percebeu. O que é que acontece? Várias coisas; A primeira tem que ver com os nossos próprios métodos de trabalho que passam muito pelo desenho tridimencional real e à escala natural (sempre que se trata de um objecto não arquitectónico, claro) - primeiro factor que me obriga a não poder estar sentada; Segundo, o "eu" - naturalmente já não iria conseguir estar sentada de qualquer maneira, é algo que me é impossivel; Terceiro, e o que dá o titulo a este post, as características próprias do objecto - é uma cadeira, as cadeiras estão assentes no chão, por isso não a consigo desenhar/modelar em cima de uma mesa. Não me faz sentido porque iria mudar-lhe a perspectiva e como poderei chegar às proporções correctas se não me colocar ao nível (olhos) do utilizador?

Claro que no estúdio sou gozada e já disseram que mandaram uma fotografia minha para a India para verem que na Alemanha também se trabalha no chão. Pode não ser nada convencional, mas faz me mesmo sentido.
Claro que as minhas costas estão do lado dos meus colegas e chamam-me nomes, principalmente à noite.

/ Por vezes o que é mais intuitivo nem sempre é o mais convencional; Outubro 2011.
* Sorry for writing in portuguese, but it just makes so much sense to me.


Have you ever thought about how helpful wearing a mirror in your necklace could be? At least for me, I know I'll never ask anyone again if I have lipstick on my teeth.

Disco is a tiny personal mirror made in polished steel. It becomes personal by the relation it has to the body. It is intended to reflect details, and their small size and disk form is what gives name to the piece, as "disco" is the portuguese word that means "disk".

Disco is now on exhibition, at Objectos Reflectidos, where some new portuguese designers are being showed, as part of EXD'11/Lisboa.

/ disco; polished stainless steel; Objectos Reflectidos; September 2011

Price upon request

Priceless.

/ Selma's balloon, models and prototypes; September 2011

Vim para a Alemanha para desenhar uma cadeira. Faço-o de régua e lápis na mão, em cartão branco, esc. 1:1. Vai ser uma boa cadeira, por enquanto tem sido uma óptima cadeira e vou acabar com boa nota, sei disso.

/ esta exposição do Donald Judd é qualquer coisa e pode ser vista na Pinakothek der Moderne. Veio mesmo a calhar, e a folha de sala já não sai do meu caderno; Agosto 2011

Se hoje tenho três coágulos na mão, a culpa foi provavelmente da quarta ilustração que correu mal, enganei-me em meia dúzia de traços, a última meia dúzia por sinal, já lá iam uns dias a desenhar tracinhos. Arruinei a vista de cima e ainda arranjei um imbróglio na mão esquerda.

Assim sendo, têm direito a três ilustrações. A outra, a quarta, está pendurada na parede da Oficina elevando-se a mártir.

/ Senta e Come Pinho - Técnica mista, 70cm x 50cm ; Joio, mostra de design nacional ; OFICINA Design Studio; Março 2011

Quero dizer-escrever, que gostei, gostámos, eu e o Ricardo, gostámos realmente de expor nos Silos, de fazer parte e ser Joio. Foi a nossa primeira exposição enquanto estúdio e já isso seria suficiente para que fosse especial. A verdade é que superou todas as nossas expectativas devendo-se ao grupo com quem colaborámos. Obrigada André Valério, Sr. Comissário, pelo convite, por nos acolherem e emprestarem instalações por uns dias. Obrigada Filipa, Paulo, Agapito, Eduardo, Silvia, Fábio, Nicola, por nos fazem sentir em casa e pela vossa simpatia; Pedro e Janine pelo bolo que nunca me trouxeram e pela mãozinha que deram ao Ricardo enquanto eu fazia tracinhos. Manel, o artista das madeiras, foste herói; Eduardo queremos mais dois bancos, por favor. Também gostei que estivessem estado presentes na inauguração. Carlos Roque, conhecido como “O pai do Roque” a sua ajuda foi, mais uma vez, preciosa. Beto, ah que nos safaste com as molduras! Tristana e Bruno, obrigada pela cama, comida, banho e Strakar.

Não agradeço porque fica bem, faço-o por sentir necessidade disso. Engraçado, está-se a criar nos Silos algo que funciona, há dinâmica entre todos os elementos que constituem os diversos estúdios. A galeria torna-se, acima de tudo uma motivação onde todos estes artistas e designers podem ver o seu trabalho exposto e reconhecido. O facto de se situar nas Caldas da Rainha parece não ser problema para os visitantes se pensarmos que só nesta inauguração estiveram presentes cerca de 200 pessoas.

Quem não conhece, suspeitamente aconselho que visitem os Silos, a galeria e os estúdios. Acredito que verão o mesmo que vi.

Com esta exposição mostrámos que estamos cá para fazer design de produto, que apesar de jovens temos uma identidade e garanto-vos que somos teimosos. Manifestar-nos-emos trabalhando, expondo, claro que vamos fazer mais.”Joio” encaixa-nos como uma luva pensando que vivemos num país que não é para jovens, onde somos rotulados de ervas daninhas.

E Ricardo, obrigada.

/ Senta e Come Pinho; JOIO, mostra de design nacional; OFICINA Design Studio; 2011


Manel e Olivia são um par de jarras que se reconhecem pelo seu feitio: Manel, tipo atarracado mas bem disposto; Olivia, esguia e nariz empinado. Parecem tão diferentes mas dão-se bem, é verdade, até vestem a roupa um do outro.
Exemplares, mas não são o único caso. Sabemos que há por aí muitos mais Maneis e Olivias com pormenores e cores diferentes.


/ Série de cerâmica modular composta por três peças com diversos acabamentos e texturas; OFICINA Design Studio, 2011

Isto não são casas, são cenas.

/ Isto não são casas; Fevereiro 2011


O que é o Bairro Alto? Quem é que lá vive e porque o faz? Será o Bairro Alto ainda um bairro no seu verdadeiro sentido? Quisemos reobservá-lo, mas desta vez deixámo-nos ser guiados por quem melhor o conhece: as pessoas que lá vivem e trabalham. Fomos apresentados e rapidamente construímos uma relação que veio a crescer e dar frutos: “Bairro Alto é” foi o resultado da nossa relação de dois curtos meses que, graças ao empenho de ambas as partes, se manteve para além do período da residência e ainda perdura. É um serviço que promove a identidade mais escondida e envergonhada, porém a mais autêntica e faz ver aos outros o que não sabiam sobre o Bairro Alto.

O que nós apreendemos e de mais importante retirámos é que é tudo e não é nada. O Bairro Alto é uma verdadeira antítese, poço de desilusão, desrespeito e pobreza e ao mesmo tempo recordações, movimento, juventude; é vida. Bairro Alto é o Sr. Carlos Encadernador e o Sr. Antunes do Cantinho da Paz, são mercearias, bares e restaurantes, ruas paralelas e perpendiculares, paredes sujas e copos no chão todas as manhãs. “É o sitio ideal para se apanhar uma bebedeira”, confessava-nos um morador de 32 anos, “mas não só: é um lugar cheio de história, cheio de gente de todo o lado, onde se pode aprender a passear”, ao que nos acrescentou outra das nossas anfitriãs; “Somos muitas vezes levados pelas ruas, impressionados pela sua idade mas recebidos pela sua alegria jovial. O Bairro Alto esconde memórias, sonhos festivos e, assim que entramos pelas suas ruas adentro, torna-se impossível esquecê-lo”. Lá compra-se o jornal de manhã e pão quente na padaria. Brinca-se nas ruas, uma vez que o trânsito automóvel é interdito a não-moradores. Vários negócios entram em falência exactamente pela mesma razão. Na realidade, este bairro dá-nos sinais de vida e de interdição quase em simultâneo.

Poucos são os que realmente conhecem este bairro e claro está que o motivo não é a falta de visitantes, isso o Bairro Alto tem até demais, caso contrário os moradores não os apelidariam de invasores. Lamentam a enchente nocturna e frisam o estado em que as ruas acordam de manhã. Falam das sucessivas lojas que abrem, vendem e saem, sem sequer se dignarem a dizer “Olá”, depois de se fazerem valer da sua reputação vanguardista. O bairro não é copos e lojas caras, isso é o bairro deles, dos tais invasores. “Recordo com saudade o bairro antes de se tornar tão cosmopolita porque acho que antes era muito mais puro”. O Bairro é um bairro, que por sinal se encontra extremamente bem situado no centro de Lisboa, mas que tem identidade própria, no fundo tem. É esta que os moradores se propõem revelar.

Os pequenos negócios tradicionais são importantes pelas suas histórias, pelos seus vendedores, pessoas que viram as gerações do bairro crescer e dar vida a novas gerações. As colectividades que são a essência da comunidade, espaços de encontro, partilha, tradição e divertimento. Todos estes locais que existem no Bairro Alto são conhecidos pela população que o habita, mas não por toda a população que o frequenta. Dar a conhecer esta rede com camadas físicas, históricas e humanas é dar a conhecer a identidade do Bairro. Os moradores querem ser ouvidos e, ao partilharem as suas opiniões e histórias, reforçam os seus laços de comunidade.

“Bairro Alto é” é um serviço projectado com e para a comunidade deste local. Identificámos o que é o bairro, os restaurantes, mercearias, livrarias, colectividades, lojas de roupa e calçado, lojas de ferragens e drogarias, talhos, papelarias e retrosarias. Colocámos-lhes uma pedra à porta com a inscrição “Bairro Alto é” para que qualquer pessoa que visite o bairro facilmente reconheça que existe uma relação entre estes vários pontos. Identificámos também quem é o Bairro Alto: o Nelson, que faz distribuição nos restaurantes e bares, a D. Gloria da mercearia nº10 da R. do Diário de Noticias, a Carla Silva que vive no nº18 da Rua da Rosa e quisemos dar-lhes voz, mas uma voz autêntica, aquela que lhes pertence mas que, por timidez ou até descrença, fazia questão de passar despercebida.

É no ultimo sábado de cada mês que este bairro é celebrado. Segundo um tema específico o qual varia para que de cada vez seja apresentada uma nova perspectiva desta identidade, os visitantes são guiados pelas suas ruas devidamente munidos de um saco, folhetos, cartões, conduzidos por pessoas da comunidade que darão a conhecer o que é a vivência, a história e as relações que caracterizam o local e todos serão benvindos.

Hoje a definição de designer, que nunca foi explícita, complicou-se. As áreas em que estes intervêm têm vindo a expandir-se. De coisas, espaços e mensagens passou-se a projectar também sistemas e serviços. Não é que estas estas áreas sejam novas, não são, apenas não se lhes dava o nome de Design de Serviços. A questão que se coloca é o porquê da terminologia “design”?

Para tal existe uma série de respostas possíveis que servem perfeitamente até a leigos na matéria. A mais usual refere-se às tendências de mercado que apontam para uma evolução do produto para sistemas culminando em serviços: a iTunes Store é um bom exemplo disso mesmo, apresentando-se como o maior serviço de revenda de música legal e atribuindo aos produtos, ou dispositivos, uma importância secundária. Deste ponto de vista, aplicar a terminologia “design” à concepção e criação de serviços poderá ser meramente uma resposta a esta economia, como que se de uma estratégia de sobrevivência se tratasse, mutando-se e procurando atingir novos desafios, fazendo-se valer do design thinking como uma mais valia para atingir inovação em questões cujos meios de resolução se tornaram obsoletos.

A especialização das disciplinas aliada a um individualismo característico de uma sociedade neo-liberal resulta num beco sem saída, se olharmos para este novos paradigmas que nos desafiam. É aqui que entra outra novidade que também já se aplica, falamos de pensamento interdisciplinar e uma grande oportunidade para os designers, visto que o Design é uma área de estudo baseada na colaboração e com uma longa experiência em mediação. É também uma área que cruza uma grande variedade de campos de conhecimento e disciplinas, citando Alastair Fuad-Luke, o que “confere ao design um alcance único entre as disciplinas criativas, enquanto simultaneamente adiciona mais complexidade e indefine o espaço de discurso.” Segundo este autor, o design abarca mitos e significados, filosofia, ciência, educação, antropologia, sociologia, cultura material, estudos media e culturais, economia, ciências políticas e ecologia, e é esta habilidade para operar entre “coisas” e “sistemas” que torna o design particularmente adequado para lidar com as questões económicas, sociais e ambientais contemporâneas.

O design de serviços segue a tradição do design de produto, permitindo a transferência de métodos analíticos e criativos previamente comprovados para o mundo dos serviços. “Visualisam, formalizam e coreografam soluções”, observam e interpretam padrões comportamentais para a criação de possíveis serviços. O seu processo aplica aproximações “explorativas, generativas e de avaliação” essenciais ao processo de criação. É em parte este aproveitamento e utilização de metodologias que dá o nome ao Design de Serviços.



“Bairro Alto é” é um serviço em que os mediadores e criadores são designers e por isso segue a linha de pensamento em cima referida. Projectámos com e para a população local, o que nos possibilitou perceber algumas das suas reais necessidades. Pela sua morfologia, este é um projecto de design de serviços que aborda a questão social da tríade da sustentabilidade.

Esta abordagem ao design é relativamente recente, quer em Portugal, quer no mundo, e por isso todas as hipóteses que temos de casos de estudo são exploradas até à exaustão. Nisso, o “Bairro Alto é”, foi bastante importante no durante o nosso percurso, porque para além de toda a experiência da criação, tivemos a hipótese rara de acompanhar a implementação, de fazer correcções e adaptações, de teorizar sobre o que foi feito e o mais importante, de o libertar, torná-lo sustentável sem depender da nossa contribuição para continuar a existir. Afinal de contas o projecto era para eles, e deles, da comunidade do Bairro Alto.

Dado o caracter experimentalista deste tipo de projectos, pertendemos pratilhar convosco aquilo que foi o faseamento metodologico em que nos baseamos durante o desenvolvimento do serviço:

FASE 1 – Trabalho de campo / Iniciação do envolvimento colectivo – Identificação dos actores chave, promoção de um evento inicial

Agendar Calendarização; Quem são os principais dinamizadores dentro do público jovem? Como os podemos conhecer? Quem são as “pessoas-chave” no Bairro Alto e que podem servir como divulgadores do projecto? Marcar encontros; Quais são os diferentes grupos participantes nas Marchas Populares? Marcar visita. Existe mais algum género de movimento ou acções que dinamizam a zona? Qual?; Que instituições de apoio à população existem?; Como nos podemos integrar junto da população jovem? O que os motiva?; Quais são os canais de divulgação / publicidade do Bairro?; Quem é o representante da equipa do Projecto +Skillz com quem vamos colaborar?

Ferramentas de trabalho: Sala de trabalho (+Skillz); Computador (+Skillz / portáteis); Camera de filmar (+Skillz); Camera fotográfica (individuais /+Skillz / máquinas descartáveis); Consumivéis: Canetas de várias cores, papel de cenário ou folhas A2, post-its.

Planeamento de um evento participatório inicial: “Bairro Alto é…” Exposição colectiva

A comunidade do Bairro Alto é convidada a expressar a sua opinião, revelar memórias e experiências relativas à vivência neste bairro. O conjunto das suas escolhas resultará num retrato visual, numa identidade colectiva. Muito mais do que uma representação artística para um espectador, esta exposição tem como fundamento a síntese de uma expressão colectiva dos habitantes do Bairro Alto.

FASE 2 – Análise de dados – Percepção das problemáticas do bairro / Consenso colectivo do Design Brief

Após o envolvimento da população do Bairro Alto durante todo o trabalho de campo, identificámos vários principais problemas, mas houve um que nos saltou mais à vista e que percebemos como boa hipótese de projecto, tendo em conta limitações que nos eram impostas à partida. Aquela que foi o nossa proposta inicial de interacção com a população, veio a revelar-se também uma das principais problemáticas identificádas por eles: a identidade. Na verdade creêm que ninguém sabe o que é o Bairro Alto, mas também que ninguém se interessa por isso porque não tem valor. Quando lhes perguntámos porque não deixam aquele bairro, a resposta foi quase unânime: “porque é a minha vida.” Foi daqui que surgiu a nossa questão projectual, como podemos ouvir a identidade do Bairro Alto?

FASE 3 – Criatividade – Idealização e brainstorming, conceptualização, propostas, selecção de propostas, especificação e detalhe da proposta seleccionada;

FASE 4 – Implementação / Utilização;

FASE 5 - Experimentação / Feedback;

FASE 6 – Verificação / Modificação / Adaptação.


/ Bairro Alto é ; Anjoom Satar, Ana Relvão, Ricardo Roque, Susana António em colaboração com o Projecto +Skillz; desenvolvido no âmbito do Projecto Eva; Clube Português de Artes e Ideias em parceria com Programa Escolhas; www.bairroaltoe.com; Julho e Agosto 2010
Esta série trata-se de um processo simples cuja qualquer explicação lógica parece complicar. Refere-se a uma busca de características arquitectónicas e da sua apropriação, revelando assim alguns aspectos menos habituais, que existem mas que dependem de um determinado instante e que só poderão ser encontrados por quem os procura especificamente. Esta minha busca, a tal especificação, refere-se à abstracção geométrica e a forma como acontece foi motivada pela teoria da percepção cognitiva de James J. Gibson, formulada em 1977, denominada por affordances.

Os edifícios não são escolhidos ao acaso: todos eles são ícones da arquitectura, detentores de uma forte carga visual, conhecidos do público geral. Todos temos uma imagem deles. O que pretendi captar não foi a sua identidade mas sim o pormenor que ressaltou no momento. É esta visão momentânea que permite transportar todo o significado de que o edifício é detentor para um outro, descontextualizando-o, retirando-lhe todo o valor que tem por mérito e atribuindo-lhe um outro. Trata-se de um ponto de vista duplamente diferente: a nível de significado e a nível de enquadramento. Deste cruzamento resulta uma imagem que pelas suas características se aproxima à composição de uma tela abstraccionista geométrica.

/ #1 Traço, traço, círculo, traço; Edificio Central Gulbenkian, Lisboa, 2009.
/ #2 Sombra Real; CCB; Lisboa, 2011
/ #3 Espinha; Torre Vasco da Gama; Lisboa; 2005
Achei que deveria iniciar este blog com uma apresentação minha, quem sou eu e o que me motiva, o que faço, onde o faço. Bem, chamo-me Ana e sou designer. Porque é que sou designer? Longa história. Com 9 anos afirmei que queria ser professora universitária e quando me foi perguntado “e o que é queres ensinar?” a minha resposta foi “coisas às pessoas”. Sempre tive um problema com especificação. Talvez tenha dado esta resposta porque sempre fui curiosa e me interessei por diversas áreas. Era a típica criança dos “porquês” e tinha o dom de enervar a minha mãe com as minhas perguntas. Enquanto estudava na Primária venerava Estudo do Meio e Geografia, já durante o Ciclo Preparatório pensei seguir Desporto mas as minhas cartilagens dos joelhos exigiram que abrandásse o ritmo. A seguir acreditei que Egiptologia seria o meu futuro e depois de uns testes psicotécinos que apontavam quer para Ciências, quer para Artes, resolvi ingressar no Curso de Artes da Escola Júlio Dantas, ali mesmo na cidade onde fui criada, Lagos.

Cedo me avisaram que Egiptologia não seria fácil mas isso pouco me preocupava. Entretanto outras paixões iam surgindo, entre elas a Geometria, o Teatro, a História de Arte e o Desenho, comecei a sentir-me dominada pela criatividade e necessidade de criar.

Na altura de escolher um curso para ingressar na Faculdade, todos os meus amigos tinham sonhos e eu ainda não sabia o que queria ensinar às pessoas. Fiz a minha candidatura em Design de Equipamento que foi um tiro no escuro, e hoje aqui estou, a projectar. Se me arrependo de não ter seguido Egiptologia? Não. Como animal social, confesso que a solidão das bibliotecas me assusta e já não acho tanta piada a múmias como isso.

Quando me perguntam o que é ser designer, surge novamente o meu problema da especificação, e isso, isso agráda-me. Metafóricamente, vejo o Design como uma caixa de ferramentas. Essas ferramentas são as disciplinas em que o Design se fundamenta e auxilía: a Psicologia (a Cognição motiva-me particularmente), a Etnografía e a Sociologia, a Geometria e Desenho, a Ergonomia, a Engenharia, a História, tantas outras, que fazem do designer alguém que precisa saber um bocadinho de tudo para inovar e solucionar problemas que lhe são propostos. Afinal percebo que com 9 anos já sabia o que queria ser, não sabia era que a isso se chamava designer.

Actualmente vivo e trabalho em Munique. Projecto nas áreas de produto e ambientes, bem como de serviços. Pretendo que aqui seja, não apenas um espaço onde revelo o meu trabalho, mas sobretudo onde vou postando parte dos meus devaneios e observações.

Não me prolongando muito mais, deixo-vos as keywords que me definem: Affordances, Naoto Fukasawa, The Language of Things, Citizen designer, Supernormal, Emotionally Durable Objects, Jasper Morrison, Stefan Diez, User friendly, White, Grey, Gestalt, Dieter Rams, Everyday Objects, Simplicity, Muji, Jil Sander, Visualization, Erwin Wurm, Colaboration, Service Design, Social innovation, Kenya Hara, Multidisciplinarity, Martin Margiela.